quinta-feira, 18 de março de 2021

 

Comuna de Paris: revolução inovadora

 

Há exatos 150 anos começava em Paris uma revolta de trabalhadores, que defendiam seu direito de se defender ante seu próprio governo, e o mais importante, de se autogovernar.

            Ao amanhecer do dia 18 de março de 1871 as trabalhadoras parisienses saiam de suas casas para seus afazeres rotineiros quando se depararam com militares tentando levar os canhões da Guarda Nacional, uma milícia popular que resistira ao exército alemão e ao governo dos “rurais”. O alarme foi tocado, as mulheres se puseram a frente das tropas enquanto os Guardas iam saindo de suas casas. As colinas de Belleville foram se enchendo com o povo parisiense, os Guardas Nacionais subiram as colinas colocando as coronhas dos fuzis para cima e pedindo que os soldados se juntassem a eles. Os soldados se confraternizam com a Guarda aos gritos de “VIVE LA COMMUNE”

            O que inicialmente era uma insurreição contra o governo traidor e a péssima situação por qual passavam os trabalhadores parisienses, se transforma em uma revolução social até hoje aclamada. Durante sua curta duração, apenas 72 dias, o povo parisiense construiu algo inestimável, um governo popular, um autogoverno. Seu formato totalmente inovador dissolvia poderes e responsabilidades entre os habitantes da cidade. A Assembleia Comunal, formada por membros eleitos de todos os XX arromdissements, juntava os poderes executivo e legislativo, dividiu-se em comissões para cuidar dos diversos assuntos da cidade. Essas comissões foram ampliadas para os bairros todas as mairies, fazendo com que as decisões fossem tomadas coletivamente pela população.

            Em todos os órgãos da Comuma se implantou mandato imperativo, que implicava que os funcionários prestavam contas a população, e não a seu superior. As hierarquias dos serviços eram conquistadas por voto coletivo e totalmente revogáveis. Os commnards criaram em sua insurreição espontânea um novo formato de Estado, adequado as suas necessidades coletivas, dissolvido por todo o povo. Esse novo formato de Estado destruía o velho Estado burguês, hierárquico e centralizador.

            As conquistas da Comuna não foram apenas no campo estatal. A educação foi ponto importante durante a revolução, pensada como laica e pública. O ensino religioso foi completamente destituído e escolas foram inauguradas. As ações das mulheres foram cruciais para o andamento da Comuna, não só no 18 de março, mas por todo o período. Elas fizeram parte dos combates, das instituições de gestão coletiva, da educação etc. Formaram inclusive um batalhão somente de mulheres para combater os soldados de Versalhes.

            A revolução foi derrotada militarmente pela máquina de guerra capitalista. E a burguesia mostrou todo seu ódio pelos trabalhadores, na segunda semana de maio, as tropas de Versalhes invadiram Paris após um mês de intensos bombardeios a cidade. Seguiu-se a semana sangrenta, milhares de pessoas foram mortas, fuzilamentos eram feitos até mesmo com uma metrailleuse devido ao grande número de executados.

            A Comuna de Paris deixou um imenso aprendizado. Apesar da sua curta duração o povo parisiense construiu as bases de uma nova sociedade, e demonstrou que a burguesia jamais aceitará que haja uma mudança pacífica. Os trabalhadores construíram e defenderam com as próprias mãos a sua tentativa de emancipação, hoje, 150 anos depois ainda temos o que aprender com os bravos communards.

 

VIVE LA RÉPUBLIQUE! VIVE LA COMMUNE!