sábado, 24 de julho de 2010

O mundo em transformação

E assim Ricardo iniciou suas histórias de tempos que aqueles jovens no máximo conseguiam imaginar. Nunca na história os seres humanos tinham visto tamanha mudança ambiental e social, as revoluções neolítica e industrial não chegaram nem perto de transformar o planeta como aconteceu no século XXI do calendário ocidental. Mas essas transformações radicais, eram também suas causas. O ser humano só se preocupou em criar e produzir, quando começou a se preocupar em cuidar, já era tarde demais.


Quando eu tinha mais ou menos a idade de vocês – começou a contar Ricardo – as coisas eram bem diferentes, mas já se notavam mudanças. Ouve uma guerra, não me lembro muito bem de quem contra quem, queriam acabar com governo contrario as grandes potencias, sei que foi muito longe daqui, onde chamavam de Oriente Médio. Essa guerra foi a ultima que tivemos por controle econômico, depois disso passamos a lutar por água.


Lembro-me bem do inicio dos combates, - continuou - eu e muitos de meus amigos nos envolvemos, fomos chamados para defender a pátria. A gente não queria saber de pátria, fomos porque falavam que defenderíamos a sobrevivência de nossas famílias, salvando a água de todos. Se soubéssemos a verdade, nunca teríamos ido dar nossas vidas por aqueles malditos. Lutamos bravamente, em lugares completamente estranhos a nós, tínhamos crescido em meio a uma grande cidade, e nos jogaram numa selva.


Muitas das coisas que Ricardo falava, as crianças só podiam imaginar, não existiam mais em sua época. Selvas, grandes cidades repletas de pessoas, só conheciam de raras fotos que os mais velhos conseguiram guardar. Em seu tempo, apesar de viverem onde antes houvera a maior cidade dentre milhares de quilômetros, nela não havia mais que mil pessoas. Os habitantes que mais se viam pelas ruínas da cidade eram ratos, baratas, e alguns outros animais, muitos deles com diversas mutações perto do que conhecemos no século XX.

Os combates eram diretos, por território; não se podia usar as armas de grande destruição a que estavam acostumados pois isso destruiria o que tinham vindo buscar. Assim, apesar de nosso exército ser bem mais fraco conseguimos manter o equilíbrio. Os combates não duraram tanto tempo, um pouco mais de um ano, os governos perceberam que a luta armada por territórios na Amazônia só causaria baixas sem levar há lugar algum. A diplomacia passou a ser usada, mas muito estrago já havia sido feito por causa da guerra, com toda a máquina de guerra. E ainda haveria muito mais destruição após a guerra.


Diversas empresas foram montadas no local para usufruir dos recursos do local. A água e a terra eram preciosos, mas não foram preservados; a ganância por altos lucros, a grande demanda do mundo consumista e a escassez devido aos abusos fizeram com que a Amazônia fosse destruída em menos de 10 anos. Daí em diante foi uma reação em cadeia, o clima começou a mudar muito. Sabíamos também que outros lugares do planeta com recursos naturais em abundância sofreram processos parecidos. O mundo todo estava doente, e continuava recebendo ataques dos humanos. Até que o planeta respondeu, com fúria.

Um comentário:

  1. E bota fúria nisso! parabens pelo post!


    Diego.

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